<T->
           A Escola  Nossa
           Histria -- 2a. srie
           Ensino Fundamental

           Rosemeire Aparecida 
           Alves Tavares
           Maria Eugnia Bellusci 
           Cavalcante

<F->
Impresso Braille em 2 partes na diagramao de 28 linhas por 34 caracteres, da 1a. edio, So Paulo, 2006 da editora 
Scipione.
<F+>

           Segunda Parte

           Ministrio da Educao
           Instituto Benjamin Constant
           Av. Pasteur, 350-368 -- Urca
           22290-240 Rio de Janeiro 
           RJ -- Brasil
           Tel.: (0xx21) 3478-4400
           Fax: (0xx21) 3478-4444
          E-mail: ~,ibc@ibc.gov.br~, 
          ~,http:www.ibc.gov.br~,
          -- 2007 --
<p>
          Copyright (C) Rosemeire 
          Aparecida Alves e Maria 
          Eugnia Bellusci 
          Direitos desta edio cedidos  Editora Scipione Ltda.

          Edio: 
          Angelo Bellusci Cavalcante

          Assistncia editorial: 
          Marco Csar Pellegrini

          ISBN 85-262-5331-1-X
          
          Av. Otaviano Alves de Lima, 4.400 6 andar e andar intermedirio ala "B" Freguesia do 
          CEP 02909-900 -- 
          So Paulo -- SP
          Caixa Postal 007
          Divulgao 
          Tel.: (0xx11) 3990-1788

<F->
~,www.scipione.com.br~,
e-mail: ~,scipione@scipione.~
  com.br~,
<F+>
<P>
                               I
<F->
Segunda Parte

Unidade 5

A vida no bairro ::::::::::: 103
Assim  o bairro ::::::::::: 104 
O bairro tem histria :::::: 105
A vida no bairro em 
  diferentes pocas ::::::::: 108
Deslocando-se pelas
  ruas do bairro :::::::::::: 116
Os jeitos de morar 
  dos povos ::::::::::::::::: 117

Unidade 6

O trabalho em nosso
  dia-a-dia ::::::::::::::::: 123
O trabalho das pessoas 
  em nossa vida ::::::::::::: 124
Trabalhadores nas ruas
  do bairro ::::::::::::::::: 127
Outros trabalhadores ::::::: 135
Passeando pela histria
  Trabalhadores do passado
  e do presente ::::::::::::: 138
Falta emprego :::::::::::::: 141

O tema ...
  O trabalho infantil :::::: 146
O trabalho na infncia ::::: 146 
Sonho de criana ::::::::::: 152
Passeando pela histria
  O trabalho infantil no 
  passado ::::::::::::::::::: 155
Combatendo o trabalho
  infantil :::::::::::::::::: 160
A criana e seus
  direitos :::::::::::::::::: 161
Glossrio :::::::::::::::::: 165
Sugestes de leitura ::::::: 172
<F+>

<77>
<Thist. escola 2a.>
<T+103>
Unidade 5

A vida no bairro

<R+>
Observe a descrio das fotografias a seguir.
<R->

<R+>
A -- 
 _`[{casa com muro alto e grades_`]
 Legenda: Esta fotografia retrata uma rua do bairro de Perdizes, localizado no municpio de So Paulo, em 2002.

B --
 _`[{rua de paraleleppedos, sobrados com fachadas de azulejos e poste de iluminao antigo_`]
 Legenda: Esta fotografia retrata uma rua do centro histrico de So Lus, no estado do Maranho, em 2000.
<P>
 Qual dos bairros retratados nas fotografias apresenta elementos caractersticos de pocas passadas? Cite quais so esses elementos.
 Cite algumas diferenas que voc observa entre os dois bairros.
<R->

<78>
Assim  o bairro

  Uma cidade geralmente  constituda por vrios bairros, e cada um desses bairros apresenta caractersticas prprias.
  Observe a representao de um bairro e os elementos que nele so encontrados.

<R+>
_`[{desenho mostrando:
  Pizzaria, aougue, sorveteria, farmcia, escola, correios, igreja, oficina, auto posto, padaria, floricultura, supermercado, praa, casas, prdios, pontos de nibus, orelhes e semforos_`]
<R->

<79>
<R+>
Agora, converse com os colegas sobre as questes a seguir.
 Quais dos elementos representados nesse bairro tambm existem no lugar onde voc mora?
 O que mais existe no lugar onde voc mora e que no aparece representado no bairro da ilustrao?
<R->

<80>
O bairro tem histria

  Todo bairro possui uma histria. A histria de um bairro contm sua formao, seu desenvolvimento e as mudanas que nele so realizadas.
  No Brasil, existem bairros antigos que foram formados h muitos anos.  o caso do Brs, um bairro localizado na cidade de So Paulo e que foi formado h cerca de 150 anos.
  No texto a seguir, o mdico e escritor Drauzio Varella conta um pouco sobre como era esse 
<P>
bairro na poca em que ele era criana, por volta de 1940.

  O Brs era um bairro cinzento, com ruas de paraleleppedo e poucos automveis. Ao meio-dia as sirenes anunciavam a hora do almoo nas fbricas. Como no existiam prdios, de toda parte viam-se chamins e as torres da igreja de Santo Antnio apontando para o cu. []

<R+>
Drauzio Varella. *Nas ruas do Brs*. So Paulo, Companhia das Letrinhas, 2000.
<R->

<R+>
_`[{foto mostrando um bairro com casas baixas e algumas fbricas com suas chamins_`]
 Legenda: Esta fotografia retrata o bairro do Brs por volta de 1930.
<R->

<R+>
 Junto com um colega, identifiquem na fotografia acima algumas fbricas que havia no bairro do Brs. 
<R->
<81>
  Daquela poca at os dias de hoje, muitas modificaes ocorreram no Brs. Veja uma fotografia atual desse bairro.

<R+>
_`[{descrio da fotografia:
  Muitos edifcios; novas construes em rua asfaltada; alguns carros e caminhes_`]
 Legenda: Esta fotografia retrata o bairro do Brs em 1997.
<R->

<R+>
 Leia novamente o relato do escritor Drauzio Varella e observe as descries das fotografias que foram apresentadas.
  Com os colegas e o professor, identifique algumas modificaes que ocorreram no bairro do Brs. Depois, escreva o que vocs descobriram.
<R->

 bom saber

  H cerca de cem anos, ainda no existia um grande nmero de fbricas no Brasil. A partir dessa poca, comearam a ser instaladas diversas fbricas em vrias cidades brasileiras.
  As primeiras fbricas instaladas foram as de tecido, de roupas, de produtos alimentcios, entre outras.
  Veja a seguir a propaganda de uma indstria instalada na cidade de Curitiba, no estado do Paran, por volta de 1912.

  Fbrica Lucinda
  Curityba -- Alto do Cabral
  Paulo Grotzner
  Fbrica de biscoitos, bolachas, confeitos, caramellos, balas, caf
  Distillaria

<82>
<R+>
A vida no bairro em diferentes 
  pocas
<R->

  No texto da pgina 106, o escritor Drauzio Varella diz que, por volta de 1940, as ruas do Brs eram de paraleleppedo. Isso ocorria porque, naquela poca, servios como asfaltamento de ruas e iluminao pblica ainda no estavam disponveis em muitos bairros de cidades brasileiras.
  Veja, na fotografia a seguir, como era o calamento das ruas do centro de So Paulo em 1910.

<R+>
_`[{descrio da fotografia:
  Rua estreita, de paraleleppedos com os trilhos por onde circulavam os bondes_`]
<R->

<R+>
 Como so as ruas do lugar onde voc mora: asfaltadas, com paraleleppedos, com outro tipo de pavimentao ou de terra?
<R->

<83>
 bom saber

  Hoje em dia, as ruas dos bairros geralmente so asfaltadas ou so de terra. Porm, em algumas cidades brasileiras, ainda so encontradas ruas revestidas com paraleleppedo ou outros tipos de pavimentao.
  Observe duas ruas de cidades diferentes.

<R+>
_`[{foto de uma ladeira com calamento de paraleleppedos_`]
 Legenda: Esta fotografia retrata uma rua da cidade de Ouro Preto, localizada no estado de Minas Gerais, em 2001.
<R->

<R+>
_`[{foto de uma rua com calamento de pedras de formas e tamanhos variados_`]
 Legenda: Esta fotografia retrata uma rua da cidade de Parati, localizada no estado do Rio de Janeiro, em 2000.
<R->

<84>
  Por volta de cem anos atrs, em muitos bairros de cidades brasileiras as ruas eram iluminadas com *lampies*, pois a eletricidade ainda estava comeando a ser utilizada no Brasil.
  Quando escurecia, os lampies das ruas eram acesos por uma pessoa encarregada desse trabalho. O acendedor de lampies carregava uma vara comprida e, com ela, acendia os lampies pendurados nos postes.
  Leia o que Gerda Brentani, uma senhora nascida em 1906, conta sobre a iluminao do bairro onde ela morava.

  Eu me lembro. Lembro muito bem a lmpada a gs da minha infncia. 1909. Eu tinha trs anos. [...]
  Ao escurecer, eu observava pela janela os acendedores de lampies na rua. [...]

<R+>
Gerda Brentani. *Eu me lembro*. So Paulo, Companhia das Letras, 1993.
<R->

<R+>
 Nas ruas do lugar onde voc mora existe iluminao pblica?
 Como  a iluminao das ruas e das moradias no lugar onde voc mora?
<P>
 De quem  a responsabilidade por oferecer esse tipo de servio  populao das cidades?
<R->

<85>
 bom saber

  H cerca de cem anos, em vrias cidades brasileiras, existiam bairros onde as condies de vida dos moradores eram bastante difceis.
  Nesses bairros, os moradores no tinham acesso a alguns servios pblicos essenciais, como pavimentao das ruas, iluminao pblica, gua encanada, rede de esgoto e energia eltrica.
  Observe na fotografia a seguir um desses bairros.
<P>
<R+>
_`[{descrio da fotografia:
  Subida de um morro com barracos feitos de madeira e pedaos de folhas de zinco; perto dos barracos, aparece uma vala por onde desce o esgoto_`]
 Legenda: Morro do Pinto, na cidade do Rio de Janeiro, em 1912.
<R->

<R+>
 Em que ano essa fotografia foi tirada?
 O que mais chama sua ateno nessa fotografia?
 Observando a fotografia, quais servios pblicos essenciais podemos verificar que no havia no bairro nela retratado?
 Na sua opinio, hoje em dia, ainda existem bairros em que a populao no tem acesso a servios pblicos?
 Em seu municpio existem bairros como o apresentado acima?
<R->

<86>
<P>
  Hoje em dia, o acesso aos servios pblicos essenciais tornou-se mais comum. Porm ainda existem muitos bairros de cidades brasileiras onde alguns desses servios no esto disponveis. Veja.

<R+>
_`[{foto de um grupo de crianas com latas na cabea_`]
 Legenda: Favela em uma cidade brasileira, no ano 2000.
<R->

<R+>
 O que provavelmente as crianas esto carregando nas latas? Por que elas precisam fazer isso?
 Compare essa fotografia com a anterior. Voc acha que, de uma poca para outra, houve mudanas nas condies de vida das pessoas que moram nesse tipo de bairro? Por qu? Converse com os colegas e o professor sobre isso. 
<R->
<P>
Atividades

<R+>
1- Para que os moradores de um bairro tenham uma boa qualidade de vida, eles precisam ter acesso a diversos servios pblicos. 
  Coloque na ordem correta as slabas das palavras abaixo e encontre o nome de alguns desses servios. 
 A) es-la-co
 B) gua-  en-na-ca-da
 C) i-mi-lu-na-o  p-ca-bli
 D) trans-te-por  co-ti-le-vo
 E) to-pos  de  sa-de-
 F) po-men-cia-li-to
<R->

<R+>
a) Quais desses servios pblicos existem no bairro onde voc mora?
 b) Converse com os colegas sobre a importncia de cada um desses servios para a populao. Converse tambm sobre os problemas que a falta deles pode causar.
<R->

<87>
<P>
<R+>
Deslocando-se pelas ruas 
  do bairro
<R->

  Pelas ruas dos bairros deslocam-se diariamente pessoas e veculos, como carros, nibus, motocicletas e caminhes.
  Para atender  necessidade de locomoo dos moradores do bairro, existem os transportes coletivos.
<R+>
 Quais so os meios de transporte coletivo que existem no lugar onde voc mora?
  nibus -- trem -- metr -- embarcaes
<R->

  Os transportes coletivos so utilizados pela populao das cidades h muito tempo. H cerca de cem anos, um dos principais meios de transporte coletivo utilizado, em algumas cidades, era o bonde. Esse meio de transporte deslocava-se sobre trilhos pelas ruas dos bairros.
  Quando surgiu, o bonde era puxado por animais, depois passou a ser movido a energia eltrica.
  Atualmente, os bondes ainda so encontrados em algumas cidades brasileiras. Nesses lugares, eles geralmente so utilizados para o transporte de turistas.

<88>
<R+>
Os jeitos de morar dos povos 
  indgenas
<R->

  O bairro  uma parte da cidade onde vivem as pessoas. Nos bairros, as construes geralmente so feitas prximas umas das outras.
  Os povos indgenas que vivem em aldeias tambm tm o costume de construir as moradias prximas umas das outras. Porm cada povo tem uma maneira prpria de organizar as moradias.
  Leia o texto a seguir e observe a descrio das ilustraes.

<R+>
Cada Nao tem o seu jeito de morar.
 Tem o seu jeito de fazer a casa.
 Cada povo tem o seu jeito de fazer a aldeia.
 O Povo Tapirap faz assim:
<R->

<R+>
_`[{casas organizadas em forma ovalada_`]
<R->

<89>
<R+>
A aldeia do Povo Xavante  assim:
<R->

<R+>
_`[{casas organizadas em forma de ferradura_`]
<R->

<R+>
A aldeia do Povo Apinaj  assim:

<R+>
_`[{casas organizadas em forma circular_`]
<R->

<R+>
 A aldeia do Povo Karaj  diferente:
<R->
  na beira do rio Araguaia.
<R->

<R+>
_`[{casas organizadas uma ao lado da outra, em linha reta_`]
<R->

<90>
<P>
Essa  a aldeia do Povo Krah:

<R+>
_`[{casas organizadas em forma circular_`]
<R->

<R+>
Eunice Dias de Paula et al. "Cada nao tem seu jeito de viver". In: *Histria dos povos indgenas*: 500 anos de luta no Brasil. Petrpolis, Vozes/CIMI, 1986.
<R->

<R+>
 Quais povos indgenas aparecem citados no texto?
<P>
 Indique a forma de organizao da aldeia de cada um dos povos citados no texto, escrevendo a letra e o nmero correspondentes.
 1) em forma de crculo 
 2) em forma de U
 3) uma ao lado da outra, na beira do rio
 A  -- Povo Tapirap
 B -- Povo Xavante
 C -- Povo Apinaj
 D -- Povo Karaj
 E -- Povo Krah
<R->

<91>
Mais atividades

Entrevista

  Agora, para conhecer melhor a histria do bairro onde voc mora, entreviste um antigo morador, isto , algum que mora nesse bairro h muitos anos.
  Veja o roteiro de sua entre-
 vista.
<P>
<R+>
 Nome do entrevistado: .....
 Idade: ..... 
 Data da entrevista: .....

 1- H quanto tempo voc mora no bairro?
 2- Voc sabe em que ano o bairro foi formado?
 3- O bairro j teve outro nome? Se teve, qual era o nome e por que foi mudado?
 4- Qual  o significado do atual nome do bairro?
 5- Quando voc passou a morar no bairro, as ruas eram asfaltadas e iluminadas por lmpadas eltricas?
 6- Quais eram os meios de transporte que circulavam pelas ruas do bairro na poca em que voc se mudou para c?
 7- Existem ainda construes antigas no bairro? Quais?
 8- Algumas das construes antigas passaram a ter um novo uso? Para que eram utilizadas antes? Como so utilizadas atualmente?
 9- Voc se lembra de algum fato importante que aconteceu no bairro? Qual foi esse fato? Quando aconteceu?
<R->

  Depois de pronta, traga sua entrevista para a sala de aula e apresente-a aos colegas.
  Em seguida, produza um pequeno texto contando a histria de seu bairro. Para isso, utilize as informaes que voc obteve com o entrevistado.

               oooooooooooo
<P>
<92>
Unidade 6

<R+>
O trabalho em nosso dia-a-dia
<R->

<R+>
_`[{oito imagens descritas a seguir:
  A -- Um homem com uma carta na mo: teiroCar
  B -- Um homem segurando uma chave de boca: cnicoMe
  C -- Uma mulher segurando um livro e um pedao de giz: 
  fessoraPro
  D -- Um homem segurando um pente e uma tesoura: 
  beleireiroCa
  E -- Um homem com uma enxada: cultorAgri
  F -- Um homem segurando uma frigideira e uma colher: 
  zinheiroCo
  G -- Um homem tocando violino: sicoM
  H -- Uma mulher danando na ponta do p: larinaBai_`]
<R->

<93>
<P>
<R+>
 Observe as imagens e as letras que acompanham cada uma delas. Coloque as letras na ordem correta e descubra quais so os profissionais que esto representados. Em seguida, escreva o nome de cada uma dessas profisses.
<R->
<94>

<R+>
O trabalho das pessoas em 
  nossa vida
<R->

  Voc j parou para pensar que, diariamente, depende do trabalho de vrias pessoas?
  Observe as cenas a seguir.

<R+>
_`[{descrio das cenas:
  A -- Desenho mostrando duas pessoas numa padaria: um homem tirando o tabuleiro de po do forno e uma mulher atendendo, no balco.
  B -- Desenho mostrando duas mulheres: uma dando aula e a outra lavando o corredor_`]
<R->
<P>
<R+>
 Quais profissionais aparecem nessas cenas?
 Quais atividades esses profissionais exercem?
 Em que essas atividades so importantes para o seu dia-a-dia?
<R->

<95>
 bom saber

  O trabalho  muito importante para a vida do ser humano.  por meio dele que as pessoas conseguem obter dinheiro para poder sobreviver.
  Hoje em dia, existem diversos tipos de trabalho. H pessoas que trabalham como empregados, por exemplo, em fbricas, em lojas, em hospitais ou em empresas realizando as mais variadas atividades. Nesses casos, elas so assalariadas, isto , recebem uma quantia em dinheiro por seu trabalho.
  Existem tambm pessoas que trabalham por conta prpria prestando servios e recebem pelo servio realizado.
  H ainda pessoas que possuem estabelecimentos comerciais prprios, por exemplo, aougues, padarias, lanchonetes, mercados, armarinhos, sales de cabeleireiro, e ganham pelas mercadorias que vendem ou pelos servios que prestam.
  Existem tambm pessoas que trabalham na rea rural, exercendo atividades como plantio, colheita, preparao de terra, entre outros. Nesses casos, as pessoas podem trabalhar, por exemplo, como empregadas ou ser proprietrias das terras.

<96>
<P>
Atividades

<R+>
1- Observe as fotografias e escreva quais so os profissionais que esto retratados em cada uma delas.
<R->
 
<R+>
_`[{descrio das fotografias:
  a) Um homem dirigindo um nibus;
  b) Um homem fazendo um muro de tijolos;
  c) Um homem examinando o ouvido do paciente_`]
<R->

<R+>
2- Cite outros profissionais que voc considera importantes em seu dia-a-dia e as atividades que eles realizam.
<R->

<97>
Trabalhadores nas ruas do bairro

  Hoje, quando precisamos comprar algum produto de consumo dirio, geralmente vamos a um estabelecimento comercial. Po e leite, por exemplo, podemos encontrar nas padarias. Quando queremos comprar carne, procuramos em um aougue ou em um supermercado.
  At alguns anos atrs, alm dos pequenos estabelecimentos comerciais, as famlias tinham uma outra opo para adquirir os produtos de que necessitavam: comprar com os vendedores ambulantes que passavam oferecendo mercadorias nas portas das casas.
  Leia um texto que conta como era o comrcio nas ruas de cidades como So Paulo e Rio de Janeiro, h cerca de cem anos.

  [...] As ruas eram cheias de vendedores; alguns puxavam carroas com mercadorias pela calada. Nas carroas, nos lombos dos animais, nas costas ou nos braos, homens e mulheres iam trazendo suas mercadorias.
  Pelas ruas passavam o leiteiro, o vendedor de aves, o cesteiro, o ceboleiro, o paneleiro, o verdureiro...
<P>
  A cidade era uma imensa feira. [...]

<R+>
Adaptado de *Nosso sculo*: 1900-1910. So Paulo, Abril Cultural, 1980.
<R->

<R+>
_`[{fotos mostrando os vendedores ambulantes relacionados  a seguir_`]
 Vendedor de vassouras
 Vendedor de miudezas
 Vendedor de verduras, legumes e frutas
<R->

<R+>
 No lugar onde voc mora passam vendedores ambulantes oferecendo mercadorias? Que tipo de mercadorias?
<R->

<98>
  Para vender as mercadorias, alguns vendedores ambulantes que viviam naquela poca costumavam fazer propaganda de seus produtos recitando frases em voz alta pelas ruas. Essas frases so conhecidas como *preges*.
  Conhea alguns preges que eram recitados pelos vendedores ambulantes h cerca de cem anos.

  Sorvete, iai,  de creme, abacaxi, sinh!
  A *tostn* o pedao! Melanzia barata! Come, bebe e lava a cara.
  Ovos frescos e baratos, dez ovos por uma *pataca*! 
  Batata assada *al furn*! Batata assada *al furn*!
  Pipoca. Amendoim torrado. Olha a pipoca. T torradinho. Pipoca, iai...
  A dois cem *ris* pastis! A dois cem ris pastis!

<R+>
In: Ecla Bosi. *Memria e sociedade*: lembranas de velhos. So Paulo, Companhia das Letras, 1994.

In: Manuel Bandeira. *Evocao do Recife*
<R->

  Hoje em dia, muitos trabalhadores ambulantes ainda mantm o costume de anunciar seus produtos ou servios pelas ruas, recitando os preges em voz alta ou utilizando alto-falantes.
<R+>
 Voc j viu algum vendedor de rua recitando um prego? Como era o prego?
 Se voc fosse um vendedor ambulante, qual mercadoria escolheria para vender nas ruas de sua cidade? Por qu?
 Qual prego voc utilizaria para divulgar sua mercadoria?
<R->

<99>
  Em algumas cidades, alm dos vendedores ambulantes, havia pessoas que montavam quiosques nas ruas para vender produtos. Esses quiosques eram pequenas barracas de madeira, onde geralmente eram vendidos bebidas e alimentos j preparados, como salgadinhos, peixe frito, doces e refrescos.
  A fotografia a seguir retrata uma rua da cidade do Rio de 
 Janeiro. 
<P>
<R+>
_`[{descrio da fotografia: 
  Muitas pessoas caminhando por uma rua de paraleleppedos onde se podem ver os trilhos dos bondes, dois quiosques e algumas barracas de vendedores ambulantes_`]
 Legenda: Esta fotografia retrata o Largo da S, na cidade do Rio de Janeiro, em 1909.
<R->

O que diz a imagem

<R+>
 1- Junto com um colega, procure identificar na fotografia os seguintes elementos:
 -- quiosques
 -- trilhos dos bondes
 -- bancas de vendedores ambulantes
 -- tipo de pavimentao da rua
<R->

<100>
 bom saber

  Uma outra opo que as pessoas tinham para comprar alguns produtos de consumo dirio eram as feiras  livres.
  A feira livre  uma espcie de mercado montado nas ruas dos bairros.
  Veja a fotografia a seguir.

<R+>
_`[{descrio da fotografia:
  Uma feira livre onde aparece uma barraca de bananas_`]
 Legenda: Barracas de frutas em uma feira livre realizada em um bairro da cidade de So Paulo, por volta de 1930.
<R->

  Ainda hoje,  bastante comum a realizao de feiras livres nos bairros de vrias cidades brasileiras. Nessas feiras, podem ser encontrados diversos tipos de produtos, como frutas, verduras, legumes, ovos, peixes, aves, entre outros.

<R+>
 No lugar onde voc vive so realizadas feiras livres? Em qual dia da semana elas acontecem?
<R->

<101>
<P>
Atividades

<R+>
1- No quadro abaixo, aparece o nome de trabalhadores ambulantes que ainda hoje podem ser encontrados nas ruas de algumas cidades. Identifique cada um desses trabalhadores nas imagens e relacione-os aos nomes corretos, escrevendo a letra e o nmero correspondentes.

<F->
!::::::::::::::::::::::::::::::
l  A) pipoqueiro             _
l  B) vendedor de frutas     _
l  C) vendedor de redes      _
l  D) sorveteiro             _
l  E) vendedora de doces e   _
l    *acaraj*                 _
l  F) fotgrafo ambulante    _
h::::::::::::::::::::::::::::::j
<F+>

<R+>
_`[{descrio das imagens:
 1) baiana com tabuleiro de doces tpicos da Bahia;
 2) vendedor empurrando uma carrocinha de sorvetes;
<P>
 3) homem empurrando um carrinho com laranjas, bananas e abacaxis;
 4) homem com redes nos ombros;
 5) homem empurrando um carrinho de pipocas;
 6) homem com mquina fotogrfica, numa praa_`]
<R->

<R+>
2- Quais desses trabalhadores ambulantes podem ser vistos no lugar onde voc mora?
<R->

<102>
Outros trabalhadores

  H cerca de cem anos, tambm havia outros tipos de trabalhadores no Brasil. Naquela poca, grande parte das pessoas trabalhava na rea rural, em lavouras, como as de caf, cana-de-acar, erva-mate e milho, ou na criao de animais, como bois, vacas, porcos e aves.
<P>
<R+>
_`[{foto de um grupo de homens colhendo caf_`]
 Legenda: Esta imagem retrata trabalhadores em uma lavoura de caf, na Fazenda Guatapar, no municpio de So Paulo, por volta de 1900. Esses trabalhadores eram conhecidos como colonos, e muitos deles eram imigrantes.
<R->

  Em algumas regies do Brasil, havia tambm pessoas que trabalhavam extraindo produtos da natureza. Na Amaznia, por exemplo, alguns trabalhadores extraam o ltex das *seringueiras*. O ltex  um lquido branco utilizado na fabricao da borracha.
<103>
  Naquela mesma poca, em algumas cidades brasileiras, estavam sendo instaladas vrias indstrias que fabricavam, por exemplo, tecido, leo comestvel, fsforo, entre outros produtos. Muitos dos trabalhadores dessas indstrias haviam deixado a rea rural e se empregavam nas fbricas em busca de melhores condies de trabalho e de vida.
  Havia tambm os comerciantes que montavam suas lojas nas principais ruas das cidades. Algumas dessas lojas comercializavam produtos que vinham da rea rural, como feijo, milho, caf e frango. Outros estabelecimentos vendiam os produtos que eram fabricados nas indstrias da cidade, por exemplo, os tecidos.
  Naquela poca, em alguns desses estabelecimentos tambm eram comercializados produtos importados, ou seja, que eram trazidos de outros pases, como canetas, jias, bebidas, entre outros.
<R+>
 Na sua opinio, as profisses apresentadas existem ainda hoje?
 Voc conhece algum que exerce alguma dessas profisses? Qual delas?
 Quais atividades so realizadas por essa pessoa? 
<R->

<104>
<P>
Passeando pela histria

<R+>
Trabalhadores do passado e 
  do presente
<R->

  Voc conheceu algumas atividades que eram realizadas por trabalhadores que viveram em outras pocas.
  Muitas profisses que existiam no passado permanecem at os dias de hoje. Outras, no entanto, desapareceram.
  Um exemplo de profisso que desapareceu  a de acendedor de lampies. Como vimos, esse profissional era responsvel por acender os lampies das ruas de alguns bairros que no tinham energia eltrica h cerca de cem anos. Quando a energia eltrica passou a ser mais utilizada e os lampies foram substitudos por lmpadas eltricas, essa profisso deixou de ser exercida.
  Assim como aconteceu com o acendedor de lampies, outras profisses tambm deixaram de existir e outras quase no existem mais. Uma delas  a de motorneiro, que era a pessoa responsvel por conduzir os bondes, utilizados como meio de transporte h cerca de cem anos.

<R+>
_`[{foto de um homem dirigindo um bonde, cheio de passageiros_`]
 Legenda: O bonde mostrado na fotografia acima circulava na cidade de So Paulo e destinava-se ao transporte dos operrios das fbricas.
<R->

<R+>
 Junto com um colega, identifique o profissional chamado de motorneiro.
<R->

<105>
  Outra profisso que acabou desaparecendo  a de graxeiro de trilhos. O graxeiro, como o prprio nome diz, era a pessoa responsvel por engraxar os trilhos pelos quais circulavam os bondes.
  Alm desses profissionais, naquela mesma poca tambm era possvel observar pelas ruas pessoas vendendo gua, pois em alguns bairros ainda no existia gua encanada. Havia tambm os vendedores de velas e de leo para lampio, entre outros.
  Essas so algumas das profisses que existiram h cerca de cem anos, no Brasil.
  Mas h profisses que, apesar de no serem mais to comuns, ainda hoje so praticadas pelas ruas de algumas cidades, como  o caso da profisso de amolador de facas, tesouras e alicates.
<R+>
 Converse com os colegas sobre os motivos que ocasionaram o desaparecimento de algumas das profisses citadas.
<R->

<106>
  Assim como algumas profisses deixaram de ser exercidas, outras ligadas a diferentes reas foram criadas. Veja alguns exemplos.
  Profissionais que trabalham na rea de informtica, como os programadores de computador.
  Profissionais ligados  rea de turismo, como os guias tursticos.
  Profissionais ligados  rea de explorao espacial, como os astronautas.
<R+>
 Quais profisses que no existem hoje e que voc imagina que vo surgir futuramente? Comente com os colegas. 
<R->

<107>
Falta emprego

  Voc viu que, antigamente, existiam vrias pessoas que vendiam mercadorias nas ruas para garantir seu sustento. Muitas dessas pessoas tornavam-se trabalhadores ambulantes porque no conseguiam emprego.
  Hoje em dia, o desemprego ainda  um problema que atinge muitos brasileiros. Para sobreviverem, muitas pessoas passam o dia nas ruas realizando pequenos consertos em eletrodomsticos e outros objetos ou vendendo mercadorias.
  Esses trabalhadores no recebem um salrio mensal pelo que fazem. O dinheiro que ganham varia de acordo com a quantidade de trabalho que realizam.

<R+>
_`[{foto de um homem, no meio do trnsito, segurando um saco de laranjas_`]
 Legenda: Esta fotografia, tirada por volta de 1995, retrata um homem vendendo laranjas em um semforo.
<R->

<R+>
_`[{foto de um homem com um tabuleiro de cocadas_`]
 Legenda: Nesta fotografia, tirada em 2001, vemos um vendedor de cocadas oferecendo sua mercadoria nas ruas da cidade de Salvador, no estado da Bahia.
<R->

<108>
  Em alguns casos, os vendedores ambulantes montam barracas nas caladas das ruas para vender sua  mercadoria. Esses vendedores so conhecidos como camels.
  Nos ltimos anos, no Brasil, muitas pessoas que perderam o emprego passaram a trabalhar como camels.
  Existem tambm pessoas que, para conseguirem o sustento, passam o dia pelas ruas coletando materiais que podem ser reciclados, como papel, plstico e latas de alumnio. Esses materiais so vendidos para indstrias que os transformam em novos produtos.

<R+>
Minhas idias, nossas idias
<R->

<R+>
1- Converse com os colegas sobre o que vocs acham que pode ser feito para reduzir o desemprego no Brasil.
<R->

<109>
Mais atividades

Pesquisa

  Cite uma profisso. O professor vai anot-la na lousa.
  Depois que todos os alunos j tiverem falado, escolha uma das profisses citadas e pesquise as seguintes informaes:
<R+>
 -- quais so as atividades realizadas nessa profisso;
 -- se seu profissional  assalariado ou no;
 -- quantas horas por dia, geralmente, o profissional passa no trabalho;
 -- quais so os instrumentos de trabalho utilizados nessa profisso;
 -- por que essa profisso  importante no dia-a-dia das pessoas.
<R->

Entrevista

  Converse com uma pessoa adulta da sua famlia e procure saber como era o comrcio ambulante nas ruas na poca em que ela tinha a sua idade.
<R+>
 Nome do entrevistado: .....
 Idade: ..... 
 Data da entrevista: .....
<P>
 1- Existiam pessoas vendendo mercadorias nas ruas do bairro onde voc morava quando era criana?
 2- Que tipo de mercadorias elas vendiam?
 3- Voc se lembra de algum prego utilizado por vendedores de rua? Caso se lembre, recite esse prego.
<R->
  Traga sua entrevista para a sala de aula e apresente-a aos colegas.

               oooooooooooo
<110>
<P>
O tema 

O trabalho infantil

<111>
O trabalho na infncia

  Leia as manchetes a seguir.

  Crianas fazem sapatos e tijolos

<R+>
 *Folhinha/Folha de S. Paulo*, 25/04/1998. 
<R->

  Crianas deixam escolas para trabalhar

<R+>
 *Folha de S. Paulo*, 27/10/1996.
<R->

  A difcil vida das pequenas domsticas

<R+>
 *O Estado de S. Paulo*, 26/02/2001.
<R->
<P>
  Os pequenos trabalhadores do Brasil

<R+>
 *Cincia Hoje das Crianas*, n.o 93, julho/1999.
<R->

<R+>
 Qual  o assunto tratado nessas manchetes?
 Na sua opinio, por que existem crianas que precisam trabalhar?
 Voc acha que existem muitas crianas trabalhando atualmente?
<R->

<112>
  No Brasil e em outros pases, existem muitas crianas e jovens que deixam a escola e as brincadeiras para trabalhar. Isso ocorre principalmente porque o dinheiro que os pais ganham no  suficiente para pagar as despesas da casa e da famlia. Assim, com o trabalho que realizam, essas crianas ajudam a sustentar a famlia.
  Existem crianas que trabalham na rea rural. Muitas delas passam o dia trabalhando, por exemplo, nas lavouras de cana-de-acar, em carvoarias, em olarias ou em lavouras de *sisal*. Com isso, perdem a infncia, no freqentam a escola e suas chances de ter um futuro melhor diminuem.

<R+>
_`[{quatro fotos, cada uma descrita pelas palavras de sua legenda_`]
 Foto 1: Menino cortando cana-de-acar, no municpio de Campos, estado do Rio de Janeiro, em 1992.
 Foto 2: Criana levando tijolos para secar, em uma olaria no municpio de Teresina, estado do Piau, em 1996.
<113>
 Foto 3: Menino trabalhando na secagem de sisal, no municpio de Valente, estado da Bahia, em 1992. 
 Foto 4: Crianas trabalhando em uma carvoaria localizada no municpio de Paragominas, estado do Par, em 2000.
<R->

<114>
<P>
<R+>
 As frases abaixo descrevem algumas atividades realizadas por crianas que trabalham. Leia e copie cada uma delas substituindo o ..... por uma das palavras a seguir.
 Sisal -- Carvoarias -- 
  Olarias -- Canaviais
 a) Nas ....., as crianas carregam lenha at os fornos, colocam fogo nela, esperam o carvo esfriar e depois o retiram.
 b) Na cultura do ....., as crianas cuidam da plantao, cortam as folhas da planta, levam-nas para ser desfiadas em uma mquina e depois colocam as fibras para secar.
 c) Nos ....., as crianas cortam a cana com faces e a transportam por um longo caminho at o *engenho*.
 d) Nas ....., as crianas colocam argila nas formas para fazer os tijolos, transportam esses tijolos para os fornos e depois os levam para secar.
<R->

 bom saber

  A criana que trabalha leva uma vida bastante difcil. Devido s atividades que realizam, muitas delas acabam tendo srios problemas de sade. Conhea alguns desses problemas, de acordo com a atividade praticada.

Cultura do sisal
  -- ferimentos no corpo, provocados pelo uso do faco no corte da planta;
  -- perda de audio, causada pelo barulho das mquinas.

Carvoarias
  -- problemas respiratrios;
  -- queimaduras;
  -- cortes.

Olarias
  -- problemas de coluna;
  -- problemas respiratrios.
<P>
Cultura da cana-de-acar
  -- ferimentos no corpo, provocados pelo uso do faco no corte da planta;
  -- intoxicao, causada por *agrotxicos*.

<115>
  Existem tambm crianas que passam o dia todo trabalhando nas ruas das cidades, exercendo as mais variadas atividades.
  Observe alguns exemplos nas fotografias a seguir.

<R+>
_`[{trs fotos, cada uma descrita pelas palavras de sua legenda_`] 
 Foto 1: Menino vendendo balas, na cidade do Rio de Janeiro, em 1985. 
 Foto 2: Menina vendendo doces, no estado da Bahia, em 2002.
 Foto 3: Criana limpando pra-brisa em um semforo, na cidade de So Paulo, em 1995.
<R->
<P>
  A maioria das crianas que trabalha no tem tempo para estudar.
  Mas tambm existem crianas que trabalham e estudam. Essas crianas, devido ao trabalho que realizam, ficam muito cansadas e, por isso, podem apresentar dificuldades para aprender.
<R+>
 Como voc imagina que ser o futuro das crianas que precisam trabalhar?
<R->

<116>
Sonho de criana

  Toda criana tem sonhos e desejos.
<R+>
 Se algum lhe pedisse para contar um sonho que voc tem, o que responderia?
<R->

  As crianas que trabalham tambm tm seus sonhos e desejos.
  Leia o trecho de um poema que fala sobre o sonho de crianas que passam o dia trabalhando.
<P>
Quando eles souberem

<R+>
Os meninos que brincam,
 talvez no saibam, no,
 que h meninos na luta
 por um pouco de po.

Os meninos que estudam,
 o fazem sem notar
 que h meninos sonhando
 com poder estudar. [...]
<R->

<R+>
Maria Dinorah. *Panela no fogo, barriga vazia*. Porto Alegre, L & PM, 1986.
<R->

<R+>
 De acordo com o poema, qual  o sonho de crianas que trabalham?
<R->

  Estudar  o sonho de muitas crianas e muitos adolescentes que trabalham. Veja os depoimentos de alguns deles.
<P>
  "Gostaria de estudar de manh, ficar  tarde em casa conversando com a famlia e  noite poder dormir. Assim, normalmente."

<R+>
(Adbora, 14 anos, trabalha na lavoura de mandioca). *Folha de S. Paulo*, 26/02/1998.
<R->

  "Meu sonho  ser advogado."

<R+>
(Claudionor, 14 anos, trabalha na lavoura de cana-de-acar). *Isto*, 30/04/1997.
<R->

  "O que eu queria na vida era ficar em casa com os amigos e estudar."

<R+>
(Genival, 13 anos, trabalha na lavoura de cana-de-acar). *Folha de S. Paulo*, 31/01/1994.
<R->
<P>
   "Bem que eu gostaria de estudar, [...] mas se no trabalhar, a gente no come."

<R+>
(Jos, 16 anos, trabalha na lavoura de cana-de-acar). In: Iolanda Huzak e J Azevedo. *Crianas de fibra*. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1994.
<R->

<R+>
 Qual dos depoimentos mais chamou sua ateno? Por qu?
<R->

<117>
Passeando pela histria

O trabalho infantil no passado

  A contratao de crianas para realizar o trabalho de adultos  uma prtica muito antiga.
  No Brasil, por exemplo, h cerca de cem anos, era comum encontrar um grande nmero de crianas entre os trabalhadores das fbricas.
<P>
<R+>
_`[{duas fotos, cada uma descrita pelas palavras de sua legenda_`]
 Foto 1: Esta fotografia mostra os operrios de uma fbrica de tecidos, na cidade do Rio de Janeiro, em 1892. Observe o grande nmero de crianas operrias.
 Foto 2: Esta fotografia retrata o interior de uma fbrica de pregos, na cidade de So Paulo, em 1918. Nessa fbrica, as crianas trabalhavam empacotando pregos.
<R->

  Muitas dessas crianas comeavam a trabalhar aos 9 ou 10 anos. Havia tambm crianas que comeavam antes, aos 7 ou 8 anos. Elas enfrentavam longas jornadas de trabalho, que duravam em mdia 10 horas, durante seis dias por semana.
<118>
  Empregar crianas era um negcio muito vantajoso para os donos das fbricas. Em muitos casos, as crianas realizavam o mesmo trabalho que os adultos, mas recebiam salrios bem menores.
  Embora recebessem salrios muito baixos, o que ganhavam era necessrio para ajudar no sustento da famlia, que geralmente era muito pobre.
  O trabalho nas fbricas era penoso para as crianas.
  Leia um depoimento dado por volta de 1910 por um operrio chamado Jacob Penteado que trabalhava em uma fbrica de vidros. Ele conta como era a vida das crianas que trabalhavam nessa fbrica.

  O ambiente era o pior possvel. Calor intolervel, dentro de um barraco coberto de zinco, sem janelas nem ventilao. [...]
  Os cacos de vidro espalhados pelo cho representavam outro pesadelo para as crianas, porque muitas trabalhavam descalas. [...]
  Ao cair da tarde, [os meninos] j estavam naturalmente cansados e cheios de sono, pois se haviam levantado s cinco da manh, e alguns bem mais cedo, por morarem distante da fbrica [...].

<R+>
In: *Saga*: a grande histria do Brasil. So Paulo, Abril, 1981.
<R->

<119>
  Alm das crianas que trabalhavam em fbricas e oficinas, havia aquelas que trabalhavam em casas de famlia ou que faziam pequenos servios pelas ruas, como os jornaleiros, retratados na cidade do Rio de Janeiro, por volta de 1910.
  Na rea rural, tambm existiam crianas que precisavam trabalhar. Algumas ajudavam a famlia em vrios servios. Outras, porm, eram contratadas por fazendeiros para trabalhar, por exemplo, na lavoura de caf ou cana-de-acar, realizando o  mesmo trabalho que os adultos.
<P>
  Assim como acontece hoje em dia, as crianas que precisavam trabalhar no passado encontravam muitas dificuldades para estudar.
  Leia o relato de dona Brites, uma professora que lecionava h cerca de cem anos e que tinha entre seus alunos algumas crianas que trabalhavam em fbricas.

  Eu tinha uma aluna de 11 anos que trabalhava no turno da noite. Quando a fbrica apitava quatro horas ela saa da escola, ia para casa jantar. Entrava s seis horas na fbrica e trabalhava at meia-noite.
  Outro menino trabalhava das seis ao meio-dia. Todo dia chegava atrasado porque saa da fbrica ao meio-dia e antes de uma hora no podia estar na escola.

<R+>
Adaptado de Ecla Bosi. *Memria e sociedade*: lembranas de velhos. So Paulo, Companhia das Letras, 1994.
<R->

<R+>
 Na sua opinio, a situao das crianas que trabalhavam h cerca de cem anos  muito diferente da situao daquelas que trabalham hoje em dia? Converse com os colegas.
<R->

<120>
<R+>
Combatendo o trabalho infantil
<R->

  Acabar com a explorao do trabalho infantil deve ser um esforo de toda a sociedade.
  No Brasil, existem alguns programas que foram criados para tentar diminuir o nmero de crianas que trabalham. Um desses programas  o Bolsa Escola, criado pelo governo federal. Com o Bolsa Escola, a famlia recebe mensalmente uma quantia do governo para que as crianas e adolescentes que tenham entre 6 e 15 anos deixem o trabalho e passem a freqentar a escola.
  Muitas crianas e adolescentes j foram beneficiados pelo programa Bolsa Escola e puderam ter uma vida melhor.
  Outro programa voltado ao combate do trabalho infantil vem sendo realizado pela Fundao Abrinq pelos Direitos da Criana. Essa fundao, formada por indstrias de brinquedos instaladas no Brasil, criou o programa Empresa Amiga da Criana.
  A idia desse programa  conscientizar os empresrios de no contratar mo-de-obra infantil. A empresa que adere ao programa ganha o selo Empresa Amiga da Criana, que pode ser impresso nas embalagens de seus produtos.
<R+>
 Voc j viu algum produto que tinha o selo Empresa Amiga da Criana impresso na embalagem? Que produto era esse?
<R->

<121>
A criana e seus direitos

  Toda criana tem direitos. Entre esses direitos, esto o de poder estudar e o de brincar.
  Existem alguns documentos que procuram garantir os direitos bsicos da criana, como contra a explorao no trabalho, entre outros.
  Veja quais so os principais documentos que tratam dessas questes.

<R+>
*Declarao Universal dos Direitos da Criana* -- criada em 1959.
 *Estatuto da Criana e do Adolescente* -- criado em 1990.
 *Constituio Federal Brasileira* -- promulgada em 1988.
<R->

  Sabemos que muito tem sido feito para acabar com o trabalho infantil, mas, infelizmente, ele ainda existe no Brasil e em muitos outros pases.  preciso continuar lutando para que as leis que protegem as crianas e os jovens sejam respeitadas. S assim eles podero ter uma vida mais digna e crescer de modo saudvel.
<P>
  Observe a descrio da imagem.

<R+>
_`[{descrio da imagem:
  Desenho de uma criana, com um livro na mo, no caminho da escola, deixando para trs, uma enxada e uma foice_`]
 Legenda: Selo dos Correios, criado em comemorao aos dez anos de existncia do Estatuto da Criana e do Adolescente.
<R->

<R+>
 O que a imagem est retratando?
 Em sua opinio, o que deve ser feito para acabar com o trabalho infantil? Discuta com os colegas e o professor.
<R->

<P>
Mos  obra

  Pesquise, em jornais e revistas, reportagens e imagens de crianas trabalhando. Recorte-as e faa um cartaz com o tema trabalho infantil. Escreva uma frase, comentando a sua opinio sobre esse assunto.
  Com os colegas, monte uma exposio dos cartazes criados pela turma e convide outras turmas da escola para visitar a exposio de vocs.

               oooooooooooo

<122>
<P>
Glossrio

<R+>
-- A 
 Acaraj: Bolinho feito com massa de feijo-fradinho descascado e modo, temperado com sal, cebola e leo. Depois de frito,  servido recheado com molho de camaro seco e pimenta.
  O acaraj  um alimento caracterstico do estado da Bahia.
 Agrotxico: Produto qumico utilizado para combater pragas e doenas nas lavouras.
  O agrotxico deve ser utilizado com a orientao de um engenheiro agrnomo, para que no seja aplicado em quantidades excessivas e prejudique o meio ambiente.
  A pessoa que aplica o agrotxico deve utilizar equipamentos de proteo, como mscara e luvas, a fim de que no seja contaminada pelo produto.
<P>
 Arteso: Pessoa que executa trabalhos manuais e produz, individualmente, objetos de artesanato.

-- C 
 Campanha: Conjunto de aes e esforos realizados para atingir determinados objetivos. As campanhas podem ter temas diversificados, como o combate  dengue, a luta contra o uso do fumo ou a preservao ambiental. A divulgao das campanhas  realizada, geralmente, nos meios de comunicao de massa, como rdio, televiso, revistas e cartazes.

-- D 
 Dcada: Perodo de tempo que tem a durao de dez anos.
  A dcada de 1910, por exemplo, compreende os anos de 1911 a 1920; a dcada de 1950, os anos de 1951 a 1960; e a dcada de 1990, os anos de 1991 a 2000.
<123>
 -- E 
 Engenho: Estabelecimento que possui equipamentos utilizados para transformar a cana-de-acar em outros produtos, como acar, rapadura e lcool.
 Estncia: Nome dado a grandes propriedades rurais onde so praticadas, por exemplo, atividades relacionadas  criao de gado. No Brasil, esse nome  utilizado, principalmente, no estado do Rio Grande do Sul.

-- L 
 Lamparina: Pequeno aparelho de iluminao, em que um pavio aceso queima um lquido combustvel, como azeite ou querosene.
  A lamparina foi muito utilizada antes do surgimento das lmpadas eltricas.
 Lampio: Aparelho de iluminao que geralmente funciona a combustvel e que possui uma proteo de vidro, onde h uma fonte de luz. Pode ser porttil, isto , levado de um lugar para outro, ou fixo em um teto, parede ou poste de rua.

-- M 
 Marquise: Cobertura de concreto existente na fachada de algumas construes, utilizada como abrigo contra a chuva ou o sol.

-- P 
 Pataca: Nome de uma antiga moeda brasileira de prata.
  H cerca de cem anos, com uma pataca comprava-se um quilograma de acar.

-- R 
 Ris: Plural de real, dinheiro portugus que circulou no Brasil at 1942. H cerca de cem anos, com 500 ris comprava-se um quilograma de carne.
  Aps o fim do real, ocorreram vrias mudanas na moeda brasileira. Tivemos, entre outras, o cruzeiro, o cruzado e o cruzeiro real.
  Em 1994, o governo brasileiro criou o real, que tem o mesmo nome do antigo dinheiro portugus e atualmente  a moeda brasileira.

<124>
-- S 
 Sculo: Perodo de tempo que tem a durao de cem anos.
  O sculo XX, por exemplo, teve incio no dia #,o de janeiro de 1901 e terminou em 31 de dezembro de 2000; o sculo XXI teve incio no dia #,o de janeiro de 2001 e terminar em 31 de dezembro de 2100.
 Seringueira: rvore de grande porte, nativa da Amaznia. Da seringueira,  extrado um lquido leitoso denominado ltex. O ltex  utilizado como matria-prima na fabricao de borracha de alta qualidade, que  utilizada na produo de pneus, solados de sapato, peas automotivas, entre outras.
<P>
 Sisal: Planta da qual se extrai uma fibra de tima qualidade, que  utilizada na fabricao de cordas, barbantes, tapetes, chapus, entre outros objetos.
  No Brasil, as maiores plantaes de sisal podem ser encontradas nos estados da Bahia, Paraba, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Cear.

-- T
 Tostn: Maneira como muitos imigrantes, principalmente os espanhis, pronunciavam a palavra "tosto". Tosto  o nome popular de uma antiga moeda brasileira utilizada geralmente como troco. Essa moeda valia 100 ris e circulou no Brasil de 1918 at a dcada de 1940. H cem anos, com 1 tosto comprava-se meio quilograma de feijo.
 Trapiche: Pequena plataforma de madeira construda na beira do mar, rio ou lago. Os trapiches servem como local para as embarcaes atracarem, facilitando o embarque e desembarque de passageiros e mercadorias.
  Na regio Nordeste do Brasil, tambm  o nome dado ao pequeno engenho de acar movido por animais.

               oooooooooooo

<125>
<P>
Sugestes de leitura

  A seguir, apresentamos alguns livros cujos temas esto relacionados aos assuntos estudados na #;a srie. A leitura desses livros vai ajud-lo a ampliar seus conhecimentos e tambm vai lhe proporcionar momentos de diverso e prazer.

<R+>
_`[{caso no encontre em braille, os livros relacionados a seguir, fale com seu professor para que ele providencie a aquisio dos mesmos_`]
<R->

  *Crianas como voc*, de Barnabas e Anabel Kindersley (So Paulo, tica, 1996).
  Neste livro, crianas de diferentes pases falam sobre seu cotidiano. Essa leitura ajudar voc a perceber que existem muitas semelhanas entre seu dia-a-dia e o das crianas de diversos lugares do mundo.

  *A famlia do Marcelo*, de Ruth Rocha (So Paulo, Salamandra, 2001).
  Neste livro, o personagem Marcelo conta como  formada a famlia dele e tambm como so as famlias de seus amigos.

  *A histria de cada um*, de Juciara Rodrigues (So Paulo, Scipione, 1996).
  A lio de casa parecia bem simples: trazer para a escola uma fotografia da famlia.
  Este livro fala sobre as dificuldades que vrios alunos tiveram para cumprir essa tarefa e como eles com a professora aproveitaram a oportunidade para conversar sobre as diferenas existentes entre as famlias.

<126>
  *A rua do Marcelo*, de Ruth Rocha (So Paulo, Salamandra, 2001).
  O personagem Marcelo gosta muito do lugar onde mora. Por isso, ele decidiu contar a todos como  a sua rua e o que h de interessante nela. Ele tambm d algumas dicas aos moradores sobre o que eles podem fazer para conservar e tornar mais agradvel o lugar onde moram.

  *Tem de tudo nesta rua*..., de Marcelo Xavier (Belo Horizonte, Formato, 1990).
  Tem de tudo nesta rua: pipoqueiro, comprador de papel velho, camel, vendedor de algodo-doce...
  Esses so alguns dos personagens que exercem atividades nas ruas, que voc conhecer ao ler este livro.

  *Na rua l de casa*, de Sonia Junqueira (Rio de Janeiro, 
 Ediouro, 2000).
  Neste livro, a autora fala um pouco sobre alguns trabalhadores que, diariamente, circulam pelo lugar onde moramos.

  *Em volta do quarteiro*, de Anna Flora (Rio de Janeiro, Salamandra, 1986).
  Vrios profissionais que exercem suas atividades pelas ruas do bairro so apresentados neste livro.
<R->

               xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxo

Fim da Obra